20080825

Diálogos entre
Le Corbusier e Fernand Léger







Nos olhos de Le Corbusier há linhas cartesianas
Nem todos os lugares são repletos de seu tempo
Nos barulhos retumbantes de canhões silenciosos
Há diálogos entre Le Corbusier e Fernand Léger
Que farão confusões mecânicas em seus relógios


Léger diz a Le Corbusier
Ei! Vamos beber em NY


Só se for em cima dos prédios
Onde eu possa ter visão plana


Pintarei esta cidade de tintas cubistas
E farei telas com abstrato geométrico
Descartes me ensinou a ser cartesiano
Todo o espaço é o espaço que delimito
É uma Odisséia Odisseu no ano de 1935
Se há de se fazer não diga porém faça
Só haverá tempo onde houver lugar
As Gaitas Hering agora virou praça

20080820

O Ethos Burguês na Moderna Utopia




Sob o enfoque de literatos, o autor Richard M. Morse fala sobre o ingênuo e o cosmopolitano, em seu texto “As cidades ‘periféricas’ como arenas culturais: Rússia, Áustria, América Latina” de Paris a São Petersburgo, do Rio a Buenos Aires e outras cidades ditas periféricas ou centrais.


Cada cidade é construída obedecendo à geografia, não tão-só a topográfica. Em regiões quentes os edifícios vão obedecer à arquitetura que minimizem os incômodos da quentura, do calor; para ir a outro extremo, em regiões frias ou geladas, a cidade é construída de maneira diferente as suas casas. Para o autor “as cidades tornam-se teatros e nossos informantes, atores”. Cita o poeta Baudelaire, pai do Simbolismo (no Brasil representado na poesia do catarinense Cruz e Sousa) que “celebra um mundo urbano associal, no qual a arte também se torna mercadoria”. E questiona se Paris foi a “capital do século XIX”; (sic) talvez, capital do consumismo.


Neste ponto, o autor de As Cidades “Periféricas” Como Arenas Culturais: Rússia, Áustria, América Latina, opõe-se a Walter Benjamin, autor de “Paris, capital do século XIX”. E fundamenta com Manchester de Tocqueville, Engels e Dickens: os além-Paris. Pois “nenhuma cidade poderia ser a sede de todos os ingredientes que forjaram a têmpora moderna”. E aponta o desinteresse dos artistas e literatos franceses por uma identidade nacional, além de que Dostoievski, tão distante de Londres e Paris, morar em São Petersburgo, ainda assim contribuía com a modernidade.

Dostoievski, a exemplo de Balzac, Dickens e Gogol , “exploram a metrópole como tema de ficção”, segundo Donald Fanger, quando estudou o “realismo romântico”. Dosoievski “conquistou o reconhecimento do grotesco como caminho para a beleza, do sofrimento para a felicidade e da humilhação para a liberdade”. Por outra, intelectuais e artistas julgavam Viena uma sociedade patológica.


(América Latina em comparação a cultura eurocêntrica). Neste caso propõe uma periferia como centro, ou seja, a inversão. As cidades periféricas também podem ter pessoas com criatividades e não só Paris ou Londres.


Machado de Assis (1839-1908), coluna do establishment, no aludido ensaio, “via a abolição como desculpa para os proprietários libertarem os escravos em condições ainda mais precárias”. Um dos maiores escritores brasileiros que dominava todos os gêneros literários, Machado profetizava as "estruturas sociais como controladas por sentimentos e paixões de indivíduos”.


Uma América Latina de pais e filhos ameríndios, ibero-medievais e miscigenados. Entretanto, o texto “As cidades...” refere-se, pela voz de Eugen Weber, que os camponeses do Sul da França (1870) “eram vistos pela cidade como ignorantes, supersticiosos, sujos, tímidos, ineptos, preguiçosos, avaros, moralmente atrofiados, falando línguas quase ininteligíveis. (...) Não havia necessidade de ninguém visitar a América para ver selvagem”.

REFERÊNCIA

20080817

Literatos no Século XX




A Morte do Caixeiro-Viajante, de Arthur Miller

melhor seria

A Memória de Um Caixeiro-Viajante, pois...




Quase todos podem jogar bola; porém, não-quase todos terão a oportunidade em ser discípulo de Garrincha. Pelé aprendeu ao lado de seu colega (Garrincha) na Seleção Brasileira de Futebol. Em outro aspecto, muitos desenham; aliás, desde o jardim de infância iniciam-se os rabiscos. Todavia, só há um Velásquez, um Goya, um Gauguin. Ainda sobre este prisma, escrever, para quem é alfabetizado, não existem grandes mistérios; entretanto, difícil é em um mesmo século (foi o caso do XX) terem existido tantos poetas (João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade etc.) e escritores (João Guimarães Rosa, Graciliano Ramos etc.) de indiscutível vocação literária.

Não são poucos os westerns, além dos spaghetti-italianos, diga-se, este engordou após a crise em Hollywood com fitas de bang-bangs; contudo, de duas ou três centenas, destacaram-se Sérgio, na década de 1960, e a música experimental do maestro Enio Morriconne no cinema de histórias de pistoleiros (filmadas na Espanha, Europa, em vez de Monument Valley-EUA, como os de John Ford). Mas é o diretor Sérgio Leone (com um dos melhores exemplos: “Era uma vez no Oeste”) e Enio – criador intelectual de trilhas sonoras antológicas; exceção, neste gênero, da direção musical de Keoma (1976) em meio a um paiol de outros, pois muitos queriam fazer cinema com aquela idéia na cabeça glauberiana de uma câmara na mão e apenas alguns surpreenderam.

Cada um é cada um. Nem todos conseguem fazer tudo. Todos podem jogar bola, desenharem ou fazerem rabiscos, escreverem ou dizerem rimas e até mesmo filmarem, depois das facilidades, neste século XXI, com máquinas filmadoras portáteis. No entanto, escrever bem é artigo de luxo, ou fazer poemas, ou filmes, ou pinturas, ou ser um jogador de futebola. Nem mesmo Arthur Miller conseguira escrever outra peça que se equiparasse “a morte...”.

Sem desconsiderar todas as nuanças de “A morte do caixeiro-viajante”, eis uma história (escrita no miolo do século XX) memorialista aos anos pós-crise de 1929. Onde o caixeiro-viajante Willy Loman (marido de Linda, e pai de Happy e Biff), um cara pra toda a obra, luta dentro da própria casa, apertada entre dois grandes prédios. Aquele foi o início das cidades, dos prédios públicos, do urbanismo, nos EUA e em outros países americanos, no século XX, sobretudo após a Segunda Grande Guerra (1939-45). O mais importante dramaturgo norte-americano no século XX, Arthur Miller, escreveu em “A morte...” também sobre a morte das casas e o nascimento dos edifícios altos. A história da cultura urbana começou, ali, a receber nova moldura.



REFERÊNCIA

A morte do caixeiro-viajante / Arthur Miller : tradução de Flávio Rangel. São Paulo : Abril Cultural, 1980.

20080816

Os Guerreiros, os Curandeiros e os Mercadores
(in “Uma teoria do paradoxo”, pp119-20, SC, 1999)


Uma cidade pobre
Reflete
Sobre as fortunas
Da cidade poderosa.
Quer conhecer
Os motivos da força política
De sua vizinha,
Enquanto ela mesma,
Mesquinha, medrosa,
Reduz-se a meia dúzia de mei’águas
Tristes de tudo.

Definha à beira da morte econômica.
E os habitantes,
Desiludidos,
Sós,
Só bebem e fumam,
Fumam o futuro, bebem o passado.

Falta-lhes trabalho. E as fábricas?
Empregam computadores.
A cidade pobre nem ousa saber
De seu parentesco co’a cidade rica.
E a cidade rica,
De olhar fixo à cidade pobre,
Quer lhe aconselhar
Demoradamente.
Desiste, todavia,
Por um motivo simples.

A cidade pobre caída, cabisbaixa,
Sempre carregará um coração mole.
E os moles dedicam-se só, apenas
A fortalecer ainda mais a quem já é forte:
Os guerreiros, os curandeiros,
Os mercadores.

Revolta-se quem não dispõe de espírito,
Espírito guerreiro ou religioso
Ou para o comércio.
Ainda senão, eis mais uma
Pobre serva cheia de inveja
E que não se revolta
Com a tríade (o clã do mercado,
Da cura e da guerra.


20080815

Muitas Cidades Começam No Beco


As aulas ou as aprendizagens nascem dos sentidos: PERCEBER (olfato), VER (visão), LER (paladar), SENTIR (tato), OUVIR (audição). Ler Para Comentar – O trabalho de pesquisa acadêmica é um ler para comentar; a isto o autor Marcello Ricardo Almeida denomina de “leitura-para-se-comentar”, ou seja, cria-se um exercício de novas descobertas e perspectivas dos fenômenos urbanos. Cuja perspectiva, neste caso, é compreender a história das culturas urbanas atuais. Como há muita literatura nacional e estrangeira que tenta explicar as culturas urbanas, esses autores devem ser lidos e comentados. Os comentários a esses autores geram novos livros os quais, posteriormente, sofrerão novas críticas comentadas. Assim, em sucessivas camadas de leituras e comentários às leituras, fundamentam-se as pesquisas acadêmicas.


Cultura nasce no povo. A cidade, criação do povo, é o espaço urbano para se exercitar todas as formas culturais. A manifestação popular exerce uma vontade política, de maneira consciente ou in.

No século XX foi onde mais se manifestaram, no Brasil, as experiências urbanas (ilustra-se com A SELVA E A CIDADE, a exemplo do seriado LOST). Foi durante o século próximo passado que o país digeriu a sua condição de Brasil rural e construiu cidades, culminando em Brasília, DF.

Curitiba, PR – cidade modelo; no mundo, Barcelona. Exemplos que se opõem às cidades favelas que ocupam os pequenos, médios e grandes centros urbanos.

Como, historicamente, estuda-se o comportamento da cidade? Em seus conflitos.

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UM BLUES NA BOCA DA NOITE
Poeta Marcello Ricardo Almeida



deslua a lua às vezes surge e às vezes os galhos
e as folhas cobrem-na por completo e a lua aluada
dessurge no vento frio do desmês de abril o vento
de sopro lento-violento a agitar os desarvoredos

enciumados. as árvores se agitam; e como! mas
o que sentem? será frio ou quem sabe calafrios
é o outono chegando enfurecido pela lua? vai-vai
folheando as árvores são suas à boquinha-da-noi-

te é um rápido farfalhar atravessando essas desmoitas
em pios e choramingos um luar em gravidez indesejada
crescente-amarelado é a música do blues em gaita alada

à boca-da-noite é o vento é o vento é a lua são apenas
pensamentos de manhã. sumiu o vento, restaram as folhas
sós despenteadas e aos nós em desolados pensamentos



A BLUES NIGHT IN THE MOUTH
Poet Marcello Ricardo Almeida


moon the moon sometimes appear and sometimes the branches
deslua the moon sometimes appears and sometimes the branches
and leaves it completely covers the moon and aluada
dessurge of deforestation in the cold wind of the wind in April
slow-blow violently to agitate the desarvoredos

jealous. shake the trees, and how! but
what they feel? will be cold chills or perhaps
Autumn is coming enraged by the moon? go-go
the trees are leafing through their mouth at night

is a quick rustle through these desmoitas
principles and whining in an unwanted pregnancy in the moonlight
increasing is the yellow-blues harmonica music winged
the word-of-the-night is the wind is the wind is the moon are just
thoughts in the morning. the wind was gone, the leaves were left
unkempt and we alone in desolate thoughts



Ein BLUES NIGHT IN DEN MUND
Dichter Marcello Ricardo Almeida



deslua der Mond scheint manchmal und manchmal die Zweige
und überlässt es vollständig bedeckt der Mond und aluada
dessurge der Entwaldung in den kalten Wind der Wind im April
heftig träge auf die desarvoredos agitieren
eifersüchtig. schütteln die Bäume, und wie! aber
was sie fühlen? wird kalte Schauer oder vielleicht
Es wird Herbst wütend über den Mond? go-go
die Bäume sind durch ihre Mund-zu-den-noi blättern

Sie ist eine schnelle Rascheln durch diese desmoitas
Prinzipien und Jammern in eine ungewollte Schwangerschaft im Mondschein
Erhöhung ist die gelb-Blues-Harp Musik geflügelten
das Wort-of-the-night ist der Wind ist der Wind ist der Mond sind nur
Gedanken am Morgen. vom Winde verweht wurde, waren die Blätter nach links
ungepflegt und wir allein in verlassenen Gedanken